Imagine, por um instante, que alguém que você ama muito esteja sendo acusado injustamente. Você sabe a verdade. Tem como provar. Mas, antes de abrir a boca, uma autoridade política te impede de falar.

Como você se sentiria?

É isso que está acontecendo agora, em Linhares, no Espírito Santo.


A diretora foi silenciada. Agora, calaram os professores.

Segundo relatos de alunos da Escola Estadual José de Caldas Brito, o superintendente da SRE de Linhares, André Felipe Costa — subordinado direto do governador Ricardo Ferraço — orientou os professores da escola a não falarem publicamente sobre o caso da diretora Laísa Cominotti Rossim Prado.

Hoje, esses professores estão com medo. Medo de perder o emprego. Medo de retaliação. Medo de contar o que viram com os próprios olhos.

E a pergunta que fica é simples:

Em que país a verdade precisa pedir licença para ser dita?

Isto não é “só” o caso de uma diretora exonerada.

Talvez você tenha lido as manchetes e pensado: “é mais um caso de gestão escolar.”

Não é.

O que está em jogo aqui é muito maior:

  • A liberdade de expressão de servidores públicos.
  • O direito à ampla defesa de uma mulher acusada sem chance de se manifestar.
  • O direito ao contraditório, princípio constitucional que esta gestão simplesmente decidiu ignorar.
  • E o uso de uma jovem educadora como bode expiatório para encobrir erros antigos do próprio governo do Estado.

Não bastou destruir a carreira de uma excelente profissional. Agora, calaram quem poderia defendê-la.


E onde está Laísa?

Você parou para perguntar?

Se você é jornalista, fez a sua lição de casa? Procurou ouvir a versão dela? Foi atrás dos documentos? Conferiu quem instalou as câmeras — e em que ano?

Porque os alunos da José de Caldas fizeram a lição deles. Tiraram nota boa. Conseguiram um dos melhores índices do Espírito Santo. Um feito construído por aquela diretora e por aqueles professores. Juntos.

Mas, para o governador, isso não importa. Primeiro, descartaram a diretora. Agora, censuram os professores. As mesmas pessoas que ergueram a escola — ele decidiu derrubar.


Para Laísa

Se a senhora estiver lendo, saiba de uma coisa:

Você não está sozinha.

Há gente em Linhares, no Espírito Santo e em todo o Brasil ao seu lado. Há alunos que estão indo às ruas pela senhora. Há famílias que sabem o que a senhora fez por seus filhos. Há professores que, mesmo amordaçados, não esqueceram.

Os covardes vencem batalhas no escuro. A verdade vence no tempo dela — e a sua hora vai chegar.


Para os professores da José de Caldas Brito

Vocês são a espinha dorsal desta história. Sem vocês, nenhum índice teria subido. Sem vocês, nenhuma vida teria sido transformada.

E agora, vocês são a próxima linha de defesa.

Não baixem a cabeça diante da injustiça.

Vocês são a esperança da nação. Se o professor desiste, o país desiste. Sem professor, não há cientista, médico, engenheiro, advogado, pedreiro, mecânico, professores e tantas outras profissões. Não há absolutamente nada.

Vocês formam quem constrói tudo o que existe.

Denunciem a censura. Falem com jornalistas independentes. Procurem o Ministério Público, a Defensoria, a OAB, os vereadores e deputados que tenham vergonha na cara. Falem com quem ouve — e não com quem cala.

A coragem de um, hoje, destrava a voz de todos amanhã.


Para os alunos que foram às ruas

Vocês fizeram o que muito adulto não teve coragem de fazer.

Quando o poder se cala, a juventude grita. Vocês mostraram, com cartazes e com a voz, que essa escola foi construída no peito — e ninguém vai apagar isso com uma reportagem mal feita.

A história de vocês já está escrita. E é uma história bonita.


E para você, que está lendo isso

Está na hora de uma decisão honesta. De que lado você está?

  • Do lado de educadores sem viés político que mudam a vida de crianças que ninguém via?
  • Ou do lado de quem se cala — e finge que não é com ele?

Porque essa história não é só sobre a Laísa. Não é só sobre os professores. Não é só sobre os alunos da José de Caldas.

Quando a educação perde, todo mundo perde.

Os filhos perdem. Os pais perdem. Linhares perde. O Espírito Santo perde. O Brasil perde.

E quando um governo silencia uma diretora, censura professores e despreza alunos para se proteger, o que ele está mostrando é simples:

Não é a educação que importa para ele. É o cargo.

A nossa parte

Se você acredita em educação, em liberdade de expressão e em justiça, faça três coisas — agora, antes de fechar esta página:

  1. Compartilhe esta história. O silêncio é o melhor amigo da injustiça.
  2. Assine a petição pela reintegração da diretora Laísa em reintegraeducacao.org.
  3. Cobre publicamente a SEDU/ES, a SRE de Linhares e o governador Ricardo Ferraço pelo direito dos professores de falarem sem medo.

Eles apostaram que a gente ia esquecer.

Vamos provar que apostaram errado.