Uma carta aberta, escrita com o coração na mão. Sem partido. Sem ideologia. Só a verdade — e a dor de quem ama esta cidade, Linhares.
Antes de tudo, pense numa mulher
Pare. Respire.
Pense na sua mãe.
Pense em como ela passou noites em claro quando você teve febre. Em como ela dividiu o pão quando o pão era pouco. Em como ela rezou por você quando você nem sabia rezar.
Foi uma mulher que te trouxe ao mundo.
Foi uma mulher que te embalou no colo.
Foi uma mulher que te ensinou a primeira palavra.
Agora pense na sua filha. Na sua irmã. Na sua sobrinha.
Pense no rostinho delas saindo de casa de mochila, indo para a escola, confiando que do outro lado do portão vai ter alguém para protegê-las.
Guarde essa imagem. Você vai precisar dela daqui a pouco.
A história que está partindo Linhares ao meio
Em menos de cinco meses, uma única escola estadual em Linhares — a EEEM Emir de Macedo Gomes — registrou dois casos de estupro contra alunas.
Duas. Meninas. De uniforme.
E nos comentários da própria reportagem, uma mulher escreveu o que muita gente sabia e ninguém tinha coragem de dizer:
“Nessa escola todo mundo sabe dos casos reiterados entre alunas e professores. Esse que foi preso é casado com uma ex-aluna e tem outros ainda nessa escola. A novidade é que agora alguém denunciou.”
Leia de novo. Devagar.
Todo mundo sabia.
E ninguém fez nada. Cadê o Ricardo Ferraço? Cadê a secretária Andréa? Cadê o senhor André para fiscalizar e cobrar a direção?
No caso da Laísa, não há nem espaço para defesa de vocês — pelo contrário, usaram ela como bode expiatório para encobrir um erro da própria SRE de Linhares.
As perguntas que deviam tirar o sono de qualquer pai e mãe
Eu não vou te dar resposta. Eu só quero que você se faça estas perguntas, em silêncio, antes de dormir hoje:
- Se fosse a sua filha, você aceitaria que “todo mundo sabia” e ninguém fez nada?
- Quantas vezes ela tentou contar e ninguém ouviu?
- Quantas noites ela chorou no quarto enquanto a escola seguia normal?
- Por que uma diretora honesta foi destruída em “praça pública por câmeras” que ela nem instalou — e em outra escola, na mesma cidade, alunas eram violadas e quase ninguém disse nada?
- Onde estava o governador? Onde estava a secretária? Onde estava o superintendente?
- E principalmente: onde estávamos nós?
Se essas perguntas apertam o seu peito, é porque você ainda tem coração.
E é por isso que eu estou escrevendo.
Duas escolas. Dois pesos. Uma vergonha.
Escola 1 — José de Caldas Brito.
A diretora Laísa Cominotti Rossim Prado transformou uma escola esquecida em referência. Mãe simbólica de centenas de alunos. Não roubou. Não mentiu. Não fez mal a ninguém.
E foi exonerada sem direito de defesa. Por câmeras que a SRE de Linhares instalou em 2019 — quando ela nem estava lá.
Escola 2 — Emir de Macedo Gomes.
Duas alunas estupradas em menos de cinco meses. Um professor preso. Comentários públicos sugerindo que existem outros casos. Uma direção que segue no cargo. Um silêncio gigantesco da SEDU. Um governador que não cobrou ninguém.
Em uma escola, uma mulher honesta foi triturada por câmeras que não foi ela quem colocou.
Em outra, alunas foram violadas e o sistema fingiu não ver.
Que tipo de Estado é esse?
Os três nomes que precisam responder
A gente fala muito de “governo”, “sistema”, “autoridades”. Mas atrás de cada decisão existe uma pessoa com nome e com cargo. Anote:
- Ricardo Ferraço — Governador do Espírito Santo.
- Andréa Guzzo Pereira — Secretária Estadual de Educação.
- André Felipe Costa — Superintendente Regional de Educação de Linhares.
Eu não estou pedindo que você os odeie.
Estou pedindo que você olhe nos olhos deles e exija resposta para três perguntas:
- Por que vocês exoneraram uma diretora inocente em poucos dias, sem direito de defesa?
- Por que vocês não fizeram o mesmo quando alunas foram estupradas em outra escola da mesma cidade?
- Por que, segundo lideranças estudantis, o superintendente André Felipe Costa estaria tentando proibir que os alunos defendam a diretora Laísa — enquanto a escola(EMIR de Macedo Gomes) que de fato falhou em proteger meninas não recebeu sequer um puxão de orelha público?
O silêncio também responde.
Só que o silêncio, aqui, dói mais do que qualquer palavra.
E ainda tem mais
Lideranças estudantis contam que o superintendente André Felipe Costa estaria orientando alunos da Escola José de Caldas Brito a não falarem nada sobre o caso da diretora Laísa.
Pense nisso.
Calar adolescentes que querem defender a diretora que eles amam. Calar adolescentes que tinham, naquela escola, o único lugar onde se sentiam ouvidos.
Em Linhares, hoje, quem grita por justiça e educação está sendo mandado para o canto.
Eu pergunto, baixinho: isso é o Estado que a gente quer deixar para os nossos filhos?
Os que escolheram o lado certo
Em meio à escuridão, sempre tem gente que acende uma vela. Eu quero, com o coração apertado, dizer obrigado a três pessoas:
Doutor Alcântaro Filho. Subiu à tribuna com documentos na mão. Mostrou para o Espírito Santo inteiro quem instalou as câmeras. Defendeu uma mulher que ele talvez nem conheça pessoalmente. Obrigado, Doutor. Linhares não vai esquecer.
Mestre Sérgio Majeski. Décadas dentro de sala de aula. Um homem que sabe o que é um aluno chorando, uma mãe esperando, um diretor brigando por giz. Defendeu Laísa porque sabe o que está em jogo. Obrigado, Mestre.
Vereador Johnatan Depollo. Colocou Linhares em pé. Não fugiu. Não calculou voto. Ficou do lado de quem precisa. Obrigado, vereador.
A esses três, uma cidade inteira agradece.
Pai. Mãe. É com você que eu quero falar agora.
Você que está lendo isso no ônibus, no intervalo do trabalho, deitado na cama depois de um dia pesado.
Eu sei que a vida está difícil. Eu sei que a conta do mês não fecha. Eu sei que você está cansado.
Mas eu te pergunto:
- Você olhou na cara da sua filha hoje?
- Você imaginou ela com medo de ir para a escola?
- Você imaginou ela tentando contar uma coisa terrível e não conseguindo?
- Você imaginou a Laísa, daqui a alguns anos, sendo sua filha mais velha, sendo destruída em rede nacional por algo que ela nem fez?
Se essas perguntas te machucaram é porque você é um bom pai. É porque você é uma boa mãe.
E gente boa não pode ficar quieta agora.
Não é direita. Não é esquerda. É humanidade.
Se você é de qualquer partido — eu não me importo.
Se você é de qualquer religião — eu não me importo.
Se você é de qualquer cidade — eu não me importo.
Eu me importo com uma menina indefesa chegando em casa em silêncio.
Eu me importo com uma mãe que confiou no Estado e foi traída.
Eu me importo com uma diretora que dedicou a vida à educação e foi tratada como criminosa.
Esta luta não tem cor de camisa. Esta luta tem cor de pele de criança. Tem cor de uniforme escolar. Tem cor de lágrima de mãe.
E precisa da gente. De toda a gente.
O que eu te peço — agora, hoje, antes de fechar essa página
- Compartilhe este texto. Esta página é de alunos — não busca dinheiro, busca justiça. Não escolha por partido. Escolha com o coração.
- Vá à rua. Quando houver protesto, leve sua família. Mostre para os seus filhos que defender o que é certo é coisa de gente grande.
- Cobre publicamente Ricardo Ferraço, Andréa Guzzo Pereira e André Felipe Costa. Eles trabalham para você. Você tem direito a resposta.
- Assine a petição pelo retorno da diretora Laísa: change.org.
- Faça este caso chegar ao Brasil. Marque deputados, jornalistas, influenciadores — de qualquer espectro. Quanto mais gente souber, mais difícil vai ser silenciar nossas meninas.
A última palavra
Se você chegou até aqui, eu já te agradeço. De coração.
Eu não te peço para concordar com tudo o que eu penso — nem quero isso. A diferença é saudável e essencial para fazer a humanidade evoluir.
Eu te peço para concordar com uma frase:
Nenhuma menina deveria ter medo de ir para a aula.
Nenhuma mulher honesta deveria ser destruída para encobrir o erro dos outros.
Se você concordou com essa frase, você já está do nosso lado.
E se hoje, ao fechar essa página, você sentir um aperto no peito, não engole esse aperto. Transforma ele em ação. Em compartilhamento. Em assinatura. Em rua. Em voz.
Porque amanhã pode ser a sua filha.
Porque amanhã pode ser a sua mãe.
Porque a Laísa, hoje, é filha de Linhares inteira.
Jamais queremos ouvir, como na música de Renato Russo em Pais e Filhos:
“Ela se jogou da janela do quinto andar...”
Queremos, sempre, poder dizer:
“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.”
E Linhares não vai abandonar a sua filha.
#JustiçaPorLaísa · #ProtejamNossasMeninas · Volta, Laísa.
